Como Liderar

Não há como negar que alguns trazem do berço mais do que outros a capacidade de liderança todos porem são passíveis de aperfeiçoamento nesse sentido como em tudo o mais na vida se suscetíveis de educação e desenvolvimento como frisa Arthur Jones.

Não há como negar que alguns trazem do berço mais do que outros a capacidade de liderança todos porem são passíveis de aperfeiçoamento nesse sentido como em tudo o mais na vida

O problema de como liderar; consequentemente, deve ser encarado com menos primarismo nos Centros Espíritas, onde, pesa-nos observar, existem mais chefes do que líderes, na autêntica acepção do termo.

Os cientistas sociais que dissertam sobre liderança costumam ainda nos remeter para a compreensão do que seja estrutura e dinâmica de grupo, ressaltando que grupo não é tão somente um aglomerado de pessoas e sim um conjunto de indivíduos em permanente comunhão psicológica. Eles nos alertam para o fato de que só conduz eficientemente um grupo quem é capaz de preservá-lo e fortalecê-lo constantemente. Oferecem-nos os seguintes dados: A proporção em que cresce no tamanho todo grupo tende a agasalhar em seu seio sub grupos, pois mesmo nos menores a homogeneidade é apenas aparente.

Na mais unificada aglutinação humana sempre duas ou três criaturas se afinizam e montam para si um circuito fechado de comunicação, ao qual as demais não têm acesso: temos aí os pares e as tríades na definição de R. Dubin. Estes núcleos rudimentares, depois de ganharem solidez, podem passar a atrair outros elementos e entrar em atrito com núcleos de tessitura semelhante, até ao ponto de ameaçar a estabilidade e o equilíbrio de sustentação do conjunto.

O líder precisa ter consciência disso porque a sua mais imediata obrigação é cuidar de manter o grupo coeso, para o que, eventualmente, terá de atuar como mediador. Em grupo fragmentado a liderança enfraquece, quando não falece. A liderança construtiva, é obvio, respaldada na ética, porque a outra, preconizada por Maquiavel, aquela escorada na tese de que os fins justificam os meios tão cara aos místicos de todas as religiões, inclusive a nossa, sedimenta-se no princípio do dividir para reinar…

Dentro de qualquer grupo os indivíduos, representando papéis diversificados, às vezes defrontam impulsos de rejeição (quando são antipatizados por outros que pressionam para afastá-los), às vezes se satisfazem em acomodação (entrosam-se com os demais apenas vagamente, sem interesse em serem assimilados), às vezes se demoram em adaptação (por terem dificuldade em absorver hábitos e valores diferentes dos seus), às vezes entram em competição (movidos pelo instinto de rivalidade) e às vezes chegam até à agressão (ainda que veladamente, por meios indiretos ou pela via oblíqua do fuxico).

O bom líder, por conseguinte, não é o que se restringe a se relacionar bem com os liderados – é aquele que consegue satisfatório relacionamento dos liderados entre si.

Além de obter isso, e de conduzir o grupo para o objetivo a ser alcançado com proficiência, motivando os liderados pelo reconhecimento dos seus méritos, distribuindo tarefas, dividindo responsabilidades, incentivando todos, sem distinção e apadrinhamento, para que explorem suas potencialidades, compete ainda ao líder preparar alguém para substituí-lo quando necessário, sem receio de ser traído e deposto, entendendo que a melhor política para continuar na liderança é não se apegar a ela, como única fonte de realização pessoal. Aliás, sendo sincero em seus projetos e razoável em suas avaliações, verá como os materialistas não se equivocam totalmente sentenciando que “o cemitério está cheio de insubstituíveis”…

RELAÇÕES HUMANAS NOS CENTROS ESPÍRITAS – Nazareno Tourinho

Fonte: https://espirito.org.br