A Gênese – Os tempos são chegados

A regeneração da humanidade, portanto, não tem absolutamente necessidade da renovação integral dos espíritos; basta uma modificação em suas disposições morais. Essa modificação ocorre com todos os que estão predispostos a ela, quando são subtraídos à influência perniciosa do mundo. Assim, os que voltam não são sempre outros espíritos, mas frequentemente os mesmos espíritos, pensando e sentindo de uma outra maneira.Quando essa melhora é isolada e individual, ela passa despercebida e não tem influência ostensiva sobre o mundo. O efeito é muito diferente quando a melhora ocorre simultaneamente sobre grandes massas, porque, então, conforme as suas propor-ções, em uma geração, as ideias de um povo ou de uma raça podem ser profundamente modificadas.É o que se observa quase sempre após os grandes choques que dizimam as populações. Os flagelos destruidores apenas destroem o corpo, não atingem o espírito; ativam o movimento de vai e vem entre o mundo corporal e o mundo espiritual e, por consequência, o movimento progressivo dos espíritos encarnados e desencarnados. É de se notar que, em todas as épocas da História, as grandes crises sociais foram seguidas de uma era de progresso.

É um desses movimentos gerais o que acontece neste momento, e que deve realizar a remodelação da humanidade. A multiplicidade das causas de destruição é um sinal característico dos tempos, uma vez que elas devem apressar a eclosão dos novos germens. São as folhas de outono que caem, e que serão substituídas por novas folhas plenas de vida, visto que a humanidade tem suas estações, como os indivíduos têm as suas idades.As folhas mortas da humanidade caem levadas pelas rajadas e pelos golpes do vento, mas para renascerem mais vivazes sob o mesmo sopro de vida, que não se extingue, mas se purifica.35. Para o materialista, os flagelos destruidores são cala-midades sem compensações, sem resultados úteis, uma vez que,segundo ele, aniquilam os seres para sempre. Porém, para aquele que sabe que a morte destrói apenas o envoltório, tais flagelos não têm as mesmas consequências, e não lhe causam o mínimo pavor. Ele compreende o seu objetivo, e também sabe que os homens não perdem mais por morrerem juntos do que por morrerem isoladamente, uma vez que, de uma forma ou de outra, isso sempre terá de acontecer.Os incrédulos rirão dessas coisas e as tratarão de quimeras; mas, digam o que disserem, não escaparão à lei comum; a seu turno, eles tombarão, como os outros, e, então, o que lhes acontecerá? Eles dizem: “Nada!” porém, viverão, apesar de si mesmos, e um dia serão forçados a abrir os olhos.